terça-feira, 11 de novembro de 2014

GOLPE NO PRONAF TIROU A VIDA E A ESPERANÇA DE PEQUENOS AGRICULTORES

ZERO HORA 11/11/2014 | 05h05

Suspeita de suicídios. Agricultores lesados por golpe no Pronaf relatam tragédias familiares

Depoimentos de produtores sustentam hipótese de que parentes se mataram após descobrir dívidas que teriam sido feitas ilegalmente em seu nome. Em alguns casos, além dos débitos, outros motivos podem ter contribuído para decisão

por Humberto Trezzi


Reneu Roesch mostra fotos da mulher que, pressionada pelas cobranças, decidiu pôr fim à vida Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS


Fraude pode matar? A Polícia Federal (PF) desconfia que sim. Isso porque alguns agricultores vítimas de desvio de recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), endividados em decorrência do prejuízo sofrido, cometeram suicídio.

Durante três dias, ZH percorreu municípios do Vale do Rio Pardo, onde vivem 6,3 mil plantadores de fumo que financiaram recursos no total de R$ 79 milhões. Algumas pessoas, desesperadas, teriam decidido se matar quando descobriram estar com débitos que juravam não ter contraído. É provável que tenham optado pela morte não apenas por esse motivo, algumas eram deprimidas, outras tinham problemas de alcoolismo.


Uma das que deram fim à vida, em maio de 2013, é Selíria Roesch, 46 anos, que morava num morro em Linha Chaves, no distrito de Monte Alverne, município de Santa Cruz do Sul. Ela sofria de depressão e piorou, segundo familiares e amigos, quando descobriu que o marido, Reneu, 56 anos, não conseguia saldar um débito de R$ 20 mil relativo ao Pronaf.

– Uma dívida irreal, inexistente – assegura Reneu.

A operação que endividou a família foi feita por meio da Associação Santa-Cruzense dos Agricultores Camponeses (Aspac), entidade ligada ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e apontada pela PF como líder do esquema fraudulento.

Conforme inquérito, a Aspac intermediava contratos dos filiados com o Banco do Brasil (BB), para obter financiamentos do Pronaf. O dinheiro liberado, em alguns casos, parava nas contas da própria associação, e parte seria repassada a contas particulares de dirigentes da entidade – sem que os agricultores soubessem.

Reneu afirma ter financiado R$ 5 mil para custeio do plantio de milho, enquanto Selíria financiou quantia inferior a essa. Um dia foram ao BB e descobriram que tinham débito de R$ 20 mil, referente a empréstimos que não teriam pedido. Reclamaram ao próprio banco e foram até o MPA fazer o mesmo.

– Dissemos que não estava certo, nos mostraram a nossa assinatura numa autorização de débito. Neguei conhecer os contratos. Minha mulher discutiu três vezes. Na terceira, a Selíria voltou para casa chorando e, 14 dias depois, se matou – fala Reneu, que só dorme com tranquilizantes.

Ireno dos Santos, 44 anos, se matou em janeiro de 2011. Ele morava no cume de um morro em Linha Almeida, interior de Sinimbu, no qual só é possível chegar a cavalo, de moto ou a pé, em meio a uma densa mata nativa. Plantava fumo numa pequena área de seis hectares. Nem telefone tinha. Só foi encontrado três meses depois da morte.

“Vivia com duas mudas de roupa”




Após suicídio do irmão, Vítor dos Santos descobriu que morto tinha dívidas em 11 financiamentos (Foto Ronaldo Bernardi)

Aos irmãos Sérgio e Vítor, Ireno se queixava de estar sempre sem dinheiro. Dizia não dever tudo que lhe imputavam. Após a morte do irmão, Vítor decidiu averiguar. Pediu extrato dos débitos ao BB, negado. Mas o inquérito da PF revela quanto Ireno movimentou do Pronaf: R$ 36 mil, relativos a 11 operações intermediadas por representantes do MPA, entre julho de 2009 e setembro de 2010. A maior parte, dívidas.
O problema, alegam os familiares, é que os dados desses financiamentos não seriam verdadeiros. Consta ali, por exemplo, dinheiro para compra de dois zebus, duas vacas jersey e seis outros bovinos.

– Ireno nunca teve gado, nem financiou a compra de animais. Vivia com duas mudas de roupa. Nem dinheiro para pagar multa da moto tinha, como financiaria um estábulo? – questiona Vítor, que encaminhou os papéis a um advogado, convencido de que o irmão não sabia dos empréstimos feitos em seu nome.

No inquérito, a PF listou os 134 suicídios ocorridos entre 2010 e 2013 em nove cidades do Vale do Rio Pardo e verificou que pelo menos 10 dos mortos estavam envolvidos em transações financeiras com a Aspac. Durante a apuração, ZH conseguiu informações sobre cinco dos mortos, entre eles Selíria e Ireno, cujas famílias vinculam o suicídio à suposta fraude.

Nos outros três casos, a reportagem encontrou, além de dívidas, outros motivos que podem ter levado à morte: um câncer em estágio avançado, problema com bebidas e depressão provocada por um débito verdadeiro.

Investigação em várias frentes

Além da PF, duas outras instituições abriram investigações sobre o golpe do Pronaf no Vale do Rio Pardo. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) decidiu impedir a Aspac de realizar o cadastro dos agricultores. O MDA fará auditoria nas Declarações de Aptidão do Pronaf emitidas pela Aspac nos últimos anos.

A associação também não poderá mais atuar como intermediária entre os produtores e os bancos para tomada dos empréstimos, já que também foi descredenciada pelo Banco do Brasil (BB). As medidas foram tomadas após uma equipe de fiscais entrevistar agricultores de Santa Cruz e Sinimbu que se dizem lesados na fraude.

Olinto Dutra, de Alto Paredão, deu queixa na PF contra a Aspac. Admite que assinou financiamento de R$ 5 mil em 2012, mas diz que demorou vários meses para ver o dinheiro e teria recebido apenas parte, em várias parcelas.

Loreni Golarte, também de Alto Paredão e dona de 3,7 hectares de terra, fez quatro débitos via Pronaf em 2009, nos valores de R$ 9 mil, R$ 4,7 mil, R$ 4,9 mil e R$ 2 mil. Ela diz ter sido informada pela Aspac que, para quitar os empréstimos, bastava assinar outros papéis para “rolar” a dívida. Constatou, porém, que em 2012 ainda devia o dinheiro. Pior: seu nome foi parar na Serasa como devedora.

O BB também realiza auditoria. Investiga empréstimos autorizados por sete funcionários: quatro gerentes e subgerentes de Santa Cruz do Sul e três servidores da agência de Sinimbu. Todos são suspeitos de gestão temerária em operações de risco e de não fiscalizarem devidamente os contratos do Pronaf firmados na região.

No Congresso, foi aprovada a realização de audiência para tratar do assunto. A ideia é convidar representantes do Ministério Público Federal, da PF e do MDA, além do vereador de Santa Cruz do Sul Wilson Rabuske (PT), apontado no inquérito como suspeito de envolvimento no esquema.

A PF aponta que parte do dinheiro dos financiamentos teria sido usada para pagar contas de campanha de políticos simpatizantes do MPA. O deputado Elvino Bohn Gass (PT) chegou a ser citado, mas a falta de provas contra ele e o vazamento da operação na mídia fizeram com que o Supremo Tribunal Federal desistisse da apuração a respeito do parlamentar.

Fraude pode ter afetado esperança, diz psicóloga

Perda de dinheiro, de confiança no outro, de esperança no futuro. Esses são sentimentos que podem ter se abatido sobre as pessoas atingidas pelas fraudes no Pronaf. E que podem ter levado algumas a dar fim à própria vida.

A interpretação é de Rosângela Werlang, doutora em Psicologia Social, professora na Faculdade de Integração do Ensino Superior do Cone Sul (Fisul) e especialista em suicídios nas áreas rurais do RS.

– Uma dívida impagável que a pessoa pensa não ter contraído abala certezas. Existe ainda a vergonha: Como fui deixar isso acontecer? Isso corrói a confiança em si e no outro. E, nesse quadro, vem a antecipação do futuro, por meio do suicídio, que é a total desesperança – diz Rosângela.

A especialista não descarta que os agricultores já tivessem sofrimento psíquico, mas avalia que os fatores externos podem ter influenciado na decisão.

– Tudo indica que, com dívidas e sem dinheiro, lesadas, usadas e não visualizando um futuro adequado, essas pessoas optaram pela morte – afirma Rosângela.

Essa questão deve ser tratada, na opinião dela, de forma coletiva, para evitar que os agricultores se sintam sozinhos. Devem se unir para que a dor seja menor e que a autodestruição seja substituída pela superação.

“Decidi viver”, afirma produtor



Devedor de um financiamento de R$ 14 mil, Paulo César Back constatou ter mais dois débitos que não reconhece (Foto Ronaldo Bernardi)

Alto Paredão, distrito de Santa Cruz do Sul, justifica o nome. É uma área rochosa, escarpada, recortada por trilhas de difícil acesso. Fala-se ali mais o Hunsrückisch (dialeto alemão) que o português. É também o epicentro da maioria dos casos relacionados à fraude do Pronaf.

Morador do distrito, Paulo César Back parcelou R$ 14 mil de Pronaf em 10 anos, em prestações de R$ 1,4 mil. Fez isso mediante contrato com o Banco do Brasil, intermediado pela Aspac. Pagou a primeira parcela e descobriu, em 2012, que tem mais dois débitos de R$ 4,7 mil, cada, que afirma jamais ter contratado. Foi parar na Serasa.
Não tem como custear advogado: conta apenas uma junta de bois para trabalhar a terra. À família, chegou a dizer que iria se matar.

– Agora estou mais calmo. Decidi viver, enfrentar. Quero é Justiça – conclui.

CONTRAPONTO

O que diz Wilson Rabuske, coordenador do MPA em Santa Cruz do Sul e investigado pela PF - Nega a existência da fraude e assegura que os produtores receberam cada centavo do que financiaram. O dirigente afirma acreditar que o assunto tenha vindo à tona por “motivações políticas”, já que o tema vazou às vésperas do primeiro turno. Veja o que Rabuske diz sobre os temas levantados pela PF.

A relação do MPA e da Aspac com o Pronaf - Diz que as entidades ajudavam os agricultores, fazendo o contato entre eles e o Banco do Brasil. Avalizava a aptidão dos associados em contrair empréstimos.

– A Aspac até adiantava financiamentos e cobrava depois.

Dinheiro nas contas da Aspac
- Admite que, em alguns casos, o dinheiro dos empréstimos era transferido para uma conta da Aspac. Diz que isso era autorizado por agricultores que ainda não tinham nota fiscal de produtor rural, vital para prestar contas de financiamentos. O dinheiro teria sido devolvido integralmente aos agricultores, embora muitos neguem.

Descontos feitos pela Aspac nos empréstimos - Reconhece que o MPA cobrava taxas, em média de R$ 150, para intermediar os financiamentos, “um procedimento regular, como uma contribuição associativa”.

Dinheiro da Aspac nas contas de Rabuske - Admite que algumas vezes usou suas contas bancárias e da mulher para receber dinheiro das contas da Aspac, para ressarcimento de despesas que ele teve com agricultores ou até porque o seu limite bancário era maior que o da Aspac. Diz não lembrar se informou isso à Receita. A PF considera as operações irregulares.

Sobre os suicídios - Cita vários casos de suicídio e diz que o Pronaf dessas pessoas foi pago, está tudo correto.

– Talvez esses que se mataram estivessem muito endividados com fumageiras. Talvez o Pronaf e o MPA até tenham ajudado eles quando precisaram. É irresponsabilidade vincular as mortes às dívidas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

DESVIO MILIONÁRIO NA CAIXA FEDERAL



ZH 06 de novembro de 2014 | N° 17975

Fraude contra Caixa resulta em prejuízo de R$ 22 milhões no RS. Operação da PF cumpriu mandados de busca e apreensão na Capital e em mais quatro cidades



Uma fraude milionária contra a Caixa apurada pela Polícia Federal (PF) no Estado envolvia o gerente de uma agência (não foi divulgado o nome), um correspondente bancário e cerca de 70 empresas de ramos como construção, transporte e comércio.

O inquérito que apura prejuízo de R$ 22 milhões à instituição deu origem à Operação Rolagem, deflagrada na manhã de ontem. Os policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão e 13 de condução coercitiva (apenas para prestar depoimento) na Capital, em Canoas, Estância Velha e Novo Hamburgo.

– Quem trouxe a notícia da possível ocorrência de crime foi a Caixa. Ao analisar algumas operações de crédito, a instituição detectou suspeita de fraude em uma agência específica. A Caixa fez uma apuração interna e rapidamente procurou a Polícia Federal – informou o superintendente da PF no Rio Grande do Sul, Sandro Caron.

A investigação teve início em fevereiro e apurou fatos entre julho de 2012 e novembro de 2013.

O esquema era operado por um correspondente bancário, que não era funcionário da Caixa, e pelo então gerente, que já foi demitido.







Empréstimos chegavam a até R$ 300 mil



O valor dos empréstimos concedidos oscilava entre R$ 200 mil e R$ 300 mil. Os suspeitos, conforme a PF, tomavam cuidado para que a concessão ficasse apenas no âmbito da agência, e não da superintendência. No inquérito, consta que empresas do mesmo grupo trocavam duplicatas para antecipar os empréstimos – eram documentos simulados, não havia prestação de serviço entre as firmas.

Os policiais federais buscam detectar qual a participação de cada pessoa na fraude, quais empresas são forjadas e quem não sabia que tinha o nome usado. Os envolvidos podem responder por formação de quadrilha, estelionato, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Na manhã de ontem, foram apreendidos três veículos, joias, R$ 12 mil em dinheiro, documentos, cartões de crédito e cheques.

A PF pediu a prisão temporária de quatro pessoas – entre elas, o ex-gerente –, mas o pedido não foi acatado pela Justiça.



COMO ERA O ESQUEMA

1. Uma organização criminosa utilizava o nome de aproximadamente 70 empresas para abrir contas em uma agência de Porto Alegre (não foi divulgado o bairro) com documentação forjada.

2. Na sequência, eram contraídas operações de crédito em nome dessas firmas.

3. Obtidos os empréstimos, eram efetuadas transferências para pessoas físicas e jurídicas inadimplentes, o que se denomina rolagem da dívida.

4. As movimentações nas contas abertas na agência por essas empresas se referiam apenas às transferências dos empréstimos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

FRAUDE NA ABERTURA DE CONTAS NA CEF



ZH 05/11/2014 | 08h47


Operação Rolagem. Polícia Federal investiga fraude de R$ 22 milhões contra a Caixa
Corporação identificou que criminosos utilizaram o nome de cerca de 70 empresas para abertura de contas



A Polícia Federal investiga uma fraude cujo prejuízo à Caixa Econômica Federal superou R$ 22 milhões — é a maior apuração da PF relacionada a esse tipo de crime envolvendo a instituição no Rio Grande do Sul. Na manhã desta quarta-feira, a corporação deflagrou a Operação Rolagem, com o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão e 13 de condução coercitiva (quando o suspeito é levado à delegacia para prestar depoimento) em Porto Alegre, Canoas, Estância Velha e Novo Hamburgo.

A apuração da PF se iniciou em fevereiro: a Caixa encaminhou informações, após instauração de procedimento para averiguar a conduta de funcionários, já que havia grande número de operações de crédito supostamente fraudulentas contratadas por empresas junto a determinadas unidades da instituição, o que gerou elevada inadimplência. Os policiais federais abriram inquérito para apurar fraudes contra o banco, crime contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro.


De acordo com a PF, a organização criminosa utilizou o nome de cerca de 70 empresas para abertura de contas, seguida da contratação de empréstimos com uso de documentação falsa. O esquema teria sido viabilizado com a participação do gerente de uma agência, já afastado. A fraude, segundo a investigação, também contou com um Correspondente Caixa e terceiros, que se apresentavam como procuradores, intermediários ou consultores de empresas de fachada.

Essas empresas tomaram crédito em elevados montantes e efetuavam saques de valores significativos ou remetiam os recursos para contas de pessoas físicas ou de outras empresas inadimplentes, culminando com o encerramento da conta com saldo negativo. Também foi verificado que os grupos envolvidos utilizaram duplicatas simuladas com especificações semelhantes para desconto e obtenção antecipada de crédito, mesmo sem apresentar características de atividade comercial típica.

A PF informa que foram colhidos fortes indícios de que o gerente afastado e o correspondente bancário credenciado à época teriam sido favorecidos com o esquema e que estariam ocultando bens, registrando-os em nome de terceiros ou familiares. Por isso, foram determinadas judicialmente medidas constritivas de arresto e sequestro de bens imóveis e veículos.

*Zero Hora

sábado, 25 de outubro de 2014

JUSTIÇA CONDENA MAURÍCIO DAL AGNOL A INDENIZAR SUAS CLIENTES



ZH 25 de outubro de 2014 | N° 17963


ADVOGADO DECISÃO EM PASSO FUNDO



Suspeito de lesar 30 mil pessoas, o advogado Maurício Dal Agnol foi condenado a pagar a duas clientes os valores que recebeu quando as defendeu em ações contra a Brasil Telecom. As autoras – uma costureira e uma aposentada por invalidez em Passo Fundo – deveriam ter recebido R$ 1,5 milhão, mas o réu repassou a elas pouco mais de R$ 66 mil. Ele também terá de pagar R$ 20 mil a cada uma por danos morais.

A sentença é do juiz Sebastião Francisco da Rosa Marinho, da 4ª Vara Cível da Comarca de Passo Fundo, no norte do Estado. A condenação é resultado de ação independente das clientes e não faz parte do processo originado por investigação da Polícia Federal de Passo Fundo, que tramita na 3ª Vara Criminal do Fórum da cidade. Conforme o inquérito, Dal Agnol é suspeito de dar um golpe em 30 mil clientes e lucrar R$ 100 milhões com fraudes em ações contra a antiga CRT.

Em recibos, o réu fez constar que entregou os valores para as clientes. O magistrado reconheceu que o pagamento às credoras não ocorreu como deveria. O advogado – cujo registro profissional está suspenso pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – criou uma petição falsa, que usou para prestar contas às autoras com valores muito inferiores.

A falsificação foi comprovada por extratos das contas do Banrisul, onde constam os alvarás originais dos valores que as mulheres deveriam ter recebido. O documento falso que o advogado entregou às autoras frisava que “o cliente está ciente de que não existem valores pendentes, em virtude de Embargos de Devedor”.

Em sua sentença, o juiz escreveu que “o réu abusou, ao receber soma em dinheiro e não fazer a respectiva entrega às titulares, apropriando-se dela e ainda fazendo com que assinassem declaração, onde estavam cientes de que nada mais tinham a receber.”

O magistrado determinou que Dal Agnol pague às autoras os valores que recebeu em nome delas por meio de alvará judicial, em um total R$ 1.588.764,91, com correção de juros a partir do momento em que o dinheiro foi sacado, além da ordem de pagamento por danos morais, levando em conta o tempo que elas ficaram sem poder usufruir do dinheiro e sua condição financeira. Cabe recurso da decisão.

RÉU ESTÁ PRESO EM PASSO FUNDO

Dal Agnol está preso preventivamente desde o dia 22 de setembro, por uma acusação do Ministério Público de ter falsificado um alvará de acordo judicial, no qual a empresa telefônica BRT repassa R$ 5 milhões a um grupo de clientes dele. No momento da prisão, agentes da polícia federal encontraram uma mochila com dinheiro na Land Rover em que ele estava. Ele está no Presídio Regional de Passo Fundo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

FAMOSOS MORTOS RECENTEMENTE SÃO VÍTIMAS DE FRAUDADORES

TV GLOBO, FANTASTICO Edição do dia 19/10/2014


Marcos Matsunaga, esquartejado pela mulher em 2012, é o morto mais visado pelos criminosos. Eduardo Campos também virou alvo.




O Fantástico alerta: golpistas podem estar usando o seu nome e o seu CPF para fazer compras, abrir empresas, como se fosse você. E aí é uma dor de cabeça danada para provar que você não tem nada a ver com a história. Até gente famosa - que morreu recentemente - virou vítima dos fraudadores.

Golpistas estão se passando por Sérgio de Almeida Campos: “Tomei um susto, óbvio. Você tem o seu nome atrelado a um crime”, diz o empresário.

Há três anos, Sérgio perdeu os documentos, inclusive o CPF. Logo, a dor de cabeça começou. Criminosos começaram a fazer compras usando os dados pessoais dele. Hoje, as dívidas somam mais de R$ 30 mil. Só com advogado, ele já gastou mais R$ 18 mil.

“As intimações que eu recebo, elas vêm com o meu CPF e o meu nome. Mas o RG, a minha profissão, as informações são todas diferentes”, conta.

A audácia dos bandidos é tanta que eles chegaram a alugar uma casa e colocar o empresário como fiador. Claro que foram embora da casa e não pagaram aluguel nenhum. “Você fica bravo. Fica inconformado com esse tipo de coisa. E aí tem que correr atrás toda vez para resolver”, ressalta.

Este ano, na hora de declarar o Imposto de Renda, a maior surpresa de todas. “Vi que a pessoa fez a declaração usando meu CPF, usando meu nome”, revela Sergio de Almeida Campos.

Os golpistas já tinham feito o Imposto de Renda para ele.

E olha a ousadia dos bandidos: eles acompanham o noticiário e quando acontece algum acidente ou crime de repercussão, eles agem.

A Policial Federal Joana Batalha foi uma das vítimas da queda do avião da GOL, em 2006, no norte de Mato Grosso. A morte dela tinha completado quase um ano quando a mãe recebeu uma cobrança: Joana teria feito um crediário em uma loja de roupas e ninguém pagou a conta.

“Para nós, para a família, fica esse sentimento de absoluta impotência e incredibilidade mesmo”, conta Maria de Fátima Batalha, mãe de Joana.

Os golpistas ainda tentaram usar o nome e o CPF de Joana pelo menos outras 15 vezes. “Muito difícil de acreditar”, diz Maria de Fátima.

O empresário Marcos Matsunaga, esquartejado pela mulher em 2012, é o morto mais visado pelos criminosos. Foram 73 tentativas de fraude usando o nome dele, em 10 estados e no Distrito Federal, e que aconteceram em menos de dois anos e meio depois do crime.

A informação faz parte de uma pesquisa inédita feita nos seis primeiros meses do ano pela Serasa Experian. Antes de realizar uma venda, comerciantes consultam a Serasa para saber se a pessoa está com o nome sujo na praça.

Geralmente gente rica, famosa, costuma pagar as contas em dia e conseguir crédito mais fácil. É o que atrai os golpistas, que falsificam os documentos para se passar por outra pessoa.

Eduardo Campos, o candidato a presidente da República, que morreu há apenas dois meses na queda do jatinho em que viajava, também virou alvo. Usando o CPF e o nome dele, criminosos tentaram fazer pelo menos 20 compras em seis estados e no Distrito Federal.

Uma dica simples poderia reduzir as fraudes contra os mortos. “Mesmo em um processo dolorido, assim que possível ir na Receita Federal e fazer o cancelamento daquele CPF”, explica Marcelo Keligiae, presidente da Unidade de Combate a Frauda da Serasa.

Mas como os golpistas conseguem informações que deveriam ser sigilosas? Segundo a Serasa, é preciso ficar atento principalmente a telefonemas e e-mails que dizem ser de bancos, operadoras de celulares e lojas e pedem para você confirmar nome e CPF.

“Muitas vezes esses e-mails são para promoções, concursos, e não são idôneos. Ele pode até abrir uma empresa em seu nome. E você às vezes vai descobrir isso muitos anos depois”, destaca Marcelo Keligiae.

A pesquisa da Serasa tem uma informação importante sobre o perfil mais comum das vítimas do golpe do CPF. A maioria não é super-rica e não morreu. O principal alvo dos fraudadores são homens entre 25 e 59 anos, que ganham entre um e cinco salários mínimos.

“A gente não pode deixar de falar que, muito provavelmente, eles tomam pouco cuidado com os seus documentos. Deve proteger seu CPF da mesma forma como protege um cartão de crédito ou uma conta corrente”, afirma Keligiae.

Um outro dado da Serasa mostra a dimensão do golpe do CPF, contra vivos e contra mortos: em setembro, a cada 14,7 segundos ocorreu uma tentativa de fraude no Brasil. “Eu sou refém do golpista que usa o meu CPF. Se ele não for pego, ele vai continuar fazendo. Então, provavelmente, eu vou continuar tendo problemas assim”, completa Sergio de Almeida Campos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

FAMILIARES DE PACIENTES SÃO VÍTIMAS DE TENTATIVA DE EXTORSÃO


Do G1 Norte Fluminense 09/10/2014 13h24

Familiares de pacientes são vítimas de tentativa de extorsão em Campos, RJ. Golpistas ligavam para vítimas e diziam ser do Hospital Ferreira Machado. Eles pediam dinheiro para manter atendimento de pacientes da UTI.



Hospital Ferreira Machado, em Campos
(Foto: Reprodução / Inter TV)

Vários familiares de pacientes do Hospital Ferreira Machado, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, foram vítimas de uma tentativa de extorsão. A direção da maior unidade de emergência do interior do estado percebeu a situação e nenhuma vítima chegou a ter prejuízo financeiro. Os golpistas estariam cobrando de pacientes e parentes de pacientes uma taxa, em nome do hospital público, para manter o atendimento e fazer exames.

Há duas semanas, a mãe de uma das vítimas, que não quis se identificar, está internada em estado grave no hospital e uma falsa assistente social ligou para a família. Por telefone, a mulher avisou que iam desligar os aparelhos da mãe dela, porque tinham outras pessoas para usar.

O alvo da quadrilha são os pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no maior hospital público do interior do estado. Atualmente, 45 pessoas estão na UTI do hospital. Falsos funcionários pedem o depósito de R$ 1.500 para o pagamento de exames. Para chegar às famílias, os golpistas usaram informações confidenciais do próprio hospital.

Segundo José Manoel Moreira, presidente da Fundação Municipal de Saúde de Campos, os golpistas ligaram para o hospital e se passaram por funcionários da Central de Regulação do Estado. Os funcionários do hospital então passaram todas as informações dos pacientes que foram pedidas, porque era prática comum. Ele disse ainda que o hospital não faz nenhuma cobrança.

A tentativa de extorsão foi descoberta quando uma das vítimas desconfiou da história e procurou a direção do hospital. A partir daí, outras denúncias foram surgindo. Ninguém chegou a fazer o depósito. Esse mesmo golpe já teria sido aplicado nos estados de Santa Catarina e São Paulo.

Algumas vítimas procuraram a polícia nesta quarta-feira (8) e ainda nesta quinta (9), os advogados do hospital vão fazer o mesmo. Ainda de acordo com o presidente da Fundação Municipal de Saúde, o processo de repasse de informações de paciente vai continuar sendo feito pelo telefone. O que vai mudar são os critérios, que vão ser mais rigorosos e agora vão exigir identificação completa de quem tiver ligando.



NOVA FRAUDE EM PRECATÓRIOS NO RS



ZH 09 de outubro de 2014 | N° 17947

HUMBERTO TREZZI


DINHEIRO DESVIADO. MP investiga nova fraude em precatórios. MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO foram cumpridos ontem na Capital. Em um escritório, promotores encontraram processo sumido do TJ em 2003



Documentos falsificados, outros desaparecidos e fraude no pagamento de débitos do governo foram constatados ontem pela Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre ao deflagrar a Operação Precatórios II. Durante o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão, promotores encontraram, em um escritório de advocacia na Capital, um processo de pagamento de precatório que estava desaparecido do Tribunal de Justiça (TJ) desde 2003. Também foi localizada uma lista de pessoas com direito a receber dinheiro do governo, gerada pelo TJ e que não poderia ter sido retirada da instituição. Foram apreendidos documentos, celulares e computadores. A suspeita do Ministério Público é de que a fraude tenha movimentado em torno de R$ 8,7 milhões.

LUCRO DOS ENVOLVIDOS PASSARIA DE R$ 1 MILHÃO

Seis pessoas são investigadas, entre advogados e empresários. Eles teriam praticado a fraude divididos em dois núcleos: um que trabalharia com informações privilegiadas (que deveriam estar restritas ao TJ) e outro em uma suposta falsificação de documentos. Seis processos de pagamento de precatórios no TJ foram identificados como fraudados nesta segunda fase da operação. A primeira etapa ocorreu em fevereiro, quando foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão.

As investigações, coordenadas pelo promotor de Justiça Ricardo Herbstrith, apontam que a fraude teria ocorrido entre 2007 e 2011. Uma das falsificações investigadas pode ter prejudicado um delegado aposentado da Polícia Civil, que teria direito a receber em torno de R$ 4 milhões. O lucro dos estelionatários superaria R$ 1,1 milhão, que teriam sido pulverizados em 43 cheques beneficiando diversas pessoas que se utilizariam de intermediários para abertura de contas com documentos falsos. Em residências de suspeitos, cujos nomes não foram revelados, foram apreendidos R$ 30 mil em dinheiro, duas espingardas e um revólver.


DETALHES DO ESQUEMA
O COMEÇO
-Em 25 de fevereiro de 2014, a Promotoria Especializada Criminal de Porto Alegre deflagrou a Operação Precatórios I. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em escritórios, residências e tabelionatos de Porto Alegre. Como consequência, chegaram ao Ministério Público novas denúncias de vítimas do mesmo golpe, porém executado por outros criminosos.
O QUE SÃO
-Os precatórios são formalizações de requisições de pagamento de quantia superior ao equivalente a 40 salários mínimos nacionais (R$ 28.960), cuja origem são decisões judiciais nas quais o Estado figura na condição de réu e devedor. Hoje, o Rio Grande do Sul tem uma dívida de R$ 7,1 bilhões com precatórios.
COMO FUNCIONAVA A FRAUDE
-Um primeiro núcleo, representado por seis denunciados, negociaria a venda fraudulenta de precatórios. As investigações apontaram que esse núcleo arregimentaria pessoas para comparecerem a cartórios com o intuito de formalizar procurações falsas. Dessa forma, tornavam-se os responsáveis pelos créditos. As empresas vítimas adquiriam e utilizavam o crédito para suspender processos de execução de dívidas.
-Já o segundo núcleo da fraude estaria ligado a uma funcionária do setor de precatórios do Tribunal de Justiça (já exonerada), que cobrava para entregar informações cobertas pelo sigilo funcional, em especial em relação aos credores de precatórios. O grupo também seria responsável pela falsificação de documentos e assinaturas.